Uma grave denúncia aponta que falhas médicas e até omissão de socorro culminaram na morte de Maria Helena Pinheiro dos Santos, de 69 anos, após mais de 20 dias de internação decorrentes de um erro em um exame de rotina.
De acordo com o relato de Érida, filha de Maria Helena, documentos e imagens apresentados demonstram falhas graves que culminaram em um desfecho trágico para a família.
No dia 29 de dezembro de 2025 (segunda-feira), Maria Helena deu entrada na GastroCentro (São Luís GastroCentro Ltda), das Clínicas Premium, para realizar um exame de rotina chamado colonoscopia. A paciente chegou pela manhã lúcida, sem qualquer problema de saúde, e aguardou com sua filha, Érida, para ser chamada para o procedimento.
Segundo o relato, enquanto outros pacientes tiveram seus exames realizados normalmente, o exame de Maria Helena demorou. Érida foi chamada pela médica Drª Jerusa Reis, conforme consta no receituário da paciente, para informar que o exame não havia sido realizado porque a paciente apresentava aderências, e que, caso o exame continuasse, poderia haver risco de lesão. No entanto, quando a porta da sala de espera se abriu, a acompanhante percebeu que Maria Helena já estava recebendo soro e medicamentos para dor.
Ainda conforme o relato, a médica entregou à filha uma receita para compra de medicamentos e recomendou que, caso as dores fossem intensas, Maria Helena fosse levada à emergência de um hospital. A orientação, entretanto, foi dada apenas à filha, sem qualquer comunicação a outros pacientes ou acompanhantes sobre a anormalidade no procedimento.
Após o exame, Maria Helena foi levada para casa. Cerca de uma hora e meia depois, começou a se queixar de dores intensas e foi levada à Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do Itaqui-Bacanga. Conforme o boletim de atendimento, ela foi atendida às 16h51 do mesmo dia e registrada na classificação de risco amarela, apresentando dor na região pélvica e abdominal, além de vômitos e náuseas, após o exame de colonoscopia que não foi finalizado devido às aderências.
Na UPA, Maria Helena foi submetida a um raio-X, recebeu medicamentos para dor e continuou relatando intenso desconforto. O exame indicou alterações na região intestinal, mas sem conclusão. Houve troca de plantão, e o novo médico solicitou tomografia no Hospital Geral, que identificou perfuração intestinal com sangramento. Diante da gravidade, a paciente foi transferida para o Socorrão por volta da 1h da madrugada de 30 de dezembro, sendo levada ao centro cirúrgico às 3h.
Segundo a acompanhante, ela só teve acesso à mãe e ao médico no dia 31 de dezembro. Na ocasião, o cirurgião informou que não havia identificado perfuração, apenas suspeitava de lesão nas aderências causadas durante o exame, e que foram feitos procedimentos de limpeza. Apesar da introdução de alimentação líquida e pastosa, Maria Helena continuou a eliminar secreção e sangue, que, segundo os médicos, era considerado normal.
No dia 5 de janeiro de 2026, a paciente apresentou piora do quadro clínico, com aumento das secreções. Foi administrada medicação adicional, mas o problema persistiu. Uma nova avaliação cirúrgica confirmou a perfuração no final do intestino, em área de difícil acesso, exigindo intervenção delicada. Maria Helena passou a ter duas bolsas; uma de colostomia e outra para secreção.
A partir daí, a família enfrentou um drama contínuo. A paciente foi transferida para uma semi-UTI em 12 de janeiro, já entubada. Durante todo o período até o dia 26 de janeiro, Maria Helena não resistiu e veio a óbito.
Conforme relato de Érida, a mãe, que estava saudável, morreu em decorrência de erros no exame inicial e de uma série de falhas e omissões durante todo o acompanhamento. A filha afirma que a médica Drª Jerusa Reis tinha ciência da gravidade do procedimento e das falhas cometidas.
Diante do caso, Érida procurou a Delegacia de Proteção ao Idoso de São Luís ainda no dia 29 de dezembro de 2025 e registrou queixa contra a clínica GastroCentro, localizada no bairro Cohama, onde foi realizado o procedimento.
Documentos oficiais emitidos pelos hospitais e pela clínica demonstram o tamanho do despreparo, desrespeito e falta de compromisso com a paciente e sua família. O caso também evidencia deficiências de atendimento na rede pública, somadas à ausência de humanização em situações críticas, como essa.
Em contato com a redação, Érida declarou que não busca vingança, apenas justiça, e que espera que outras famílias não passem pelo mesmo sofrimento que ela enfrentou, chorando a perda da mãe.
O editor do blog Informação de Verdade deixa um espaço para as partes citadas, caso desejem se pronunciar sobre esse triste caso
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