Weverton Rocha diz que movimentações citadas pela PF são legais e nega irregularidades

Senador afirmou ter “nada a esconder”; investigação cita familiares, empresas ligadas a Willer Tomaz e uma mansão de R$ 6 milhões

O senador Weverton Rocha (PDT-MA) afirmou, em nota divulgada nesta terça-feira (4), que as movimentações financeiras mencionadas pela Polícia Federal em uma investigação sobre suposta lavagem de dinheiro são legais, ligadas a atividades empresariais e declaradas à Receita Federal.

O parlamentar, que é candidato à reeleição ao Senado, divulgou a manifestação após uma operação da PF realizada nesta terça-feira (4), em desdobramento da Operação Sem Desconto, que apura suspeitas de desvios no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Weverton não foi alvo da ação, mas aparece citado pelos investigadores.

Na nota, o senador afirmou ter a “tranquilidade” de quem não tem “nada a esconder”. Ele disse ainda que não foi surpreendido pela operação, mas criticou o alcance das investigações sobre integrantes de sua família.

A apuração da Polícia Federal mira uma rede de transações financeiras e patrimoniais que, segundo os investigadores, envolveria contas da esposa, das filhas e de irmãs do parlamentar, além de empresas associadas ao advogado e empresário Willer Tomaz de Souza.

De acordo com a investigação, a PF identificou transferências superiores a R$ 11 milhões entre empresas do grupo de Willer Tomaz e Samya Rocha, esposa de Weverton. Os investigadores também apontaram movimentações em contas dos postos Petro São Francisco e Petro São José, administrados operacionalmente por Anna Catarina Rocha, filha do senador.

Outro ponto citado pela Polícia Federal envolve a aquisição de uma mansão avaliada em R$ 6 milhões em um bairro nobre de Brasília. Segundo a apuração, o imóvel seria utilizado pelo parlamentar, embora esteja registrado em nome de uma empresa de Willer Tomaz.

A PF afirma ter identificado, a partir da análise do celular apreendido do senador, um quadro mais amplo de movimentações financeiras fracionadas. A investigação é um desdobramento da Operação Sem Desconto, que apura suspeitas de corrupção passiva e descontos indevidos em benefícios previdenciários pagos pelo INSS.

Em sua manifestação, Weverton também citou o parecer do Ministério Público Federal, que se posicionou contra o cumprimento de mandados de busca e apreensão autorizados pelo Supremo Tribunal Federal contra familiares do senador.

Apesar da posição da Procuradoria-Geral da República, o relator do caso no STF, ministro André Mendonça, divergiu do parecer e acolheu o pedido da Polícia Federal. As buscas foram autorizadas diante do risco de destruição de provas e da gravidade dos fatos apurados, segundo a decisão mencionada na investigação.

Weverton sustenta que as movimentações são regulares, têm origem lícita e foram comunicadas aos órgãos competentes. O senador nega irregularidades e afirma que as transações citadas pela PF estão relacionadas a atividades empresariais de sua família.