Cultura vs. Saúde: o contraste de prioridades em São Luís

Na noite da última sexta-feira, 13 de fevereiro de 2026, a Prefeitura de São Luís desembolsou R$ 1.500.000,00 para bancar o pagamento de aproximadamente uma hora e meia de uma das atrações da dupla sertaneja Jorge e Mateus.

O Titular do Blog obteve alguns documentos oficiais da Secretaria Municipal de Cultura que comprovam o pagamento. O evento fez parte da programação do Carnaval, atraiu mais de 80 mil pessoas e foi celebrado como um marco festivo.

Entretanto, o valor milionário chama atenção quando comparado à realidade da saúde pública da capital maranhense. Em diversos bairros, moradores enfrentam a falta de ambulâncias para atendimentos básicos, situação que já resultou em atrasos críticos em socorros de urgência.

A crítica não se volta contra a festa ou a cultura popular, mas contra a desproporção de prioridades. Enquanto se gasta uma fortuna em uma única atração, vidas ficam em risco pela ausência de equipamentos essenciais.


💰 Custos de aquisição de ambulâncias

  • Uma ambulância tipo D nova, equipada como UTI móvel, pode custar entre R$ 290.000 e R$ 450.000, dependendo da marca, modelo e nível de equipamentos médicos instalados.
  • Modelos seminovos ou usados podem ser encontrados a partir de R$ 200.000, mas é essencial verificar se atendem às normas da ANVISA e do CONTRAN.

⚖️ Diferença em relação à Tipo 2

Tipo de AmbulânciaFinalidadeFaixa de Preço (Serviço)Faixa de Preço (Compra)
Tipo 2 (Suporte Básico)Transporte de pacientes sem risco iminenteR$ 300 – R$ 1.500R$ 180.000 – R$ 250.000
Tipo D (UTI Móvel)Casos graves, suporte avançadoR$ 2.500 – R$ 6.000R$ 290.000 – R$ 450.000

📊 Quantas ambulâncias poderiam ser compradas?

Considerando o valor gasto no show e o preço médio de uma ambulância Tipo D (UTI Móvel) em torno de R$ 300.000,00, seria possível adquirir 5 unidades.

Valor gasto no showCusto médio por ambulância (Tipo D)Quantidade possível de ambulâncias
R$ 1.500.000,00R$ 300.000,005 unidades

⚖️ Reflexão

Cinco novas ambulâncias de UTI móvel poderiam estar rodando pelas ruas de São Luís, reforçando o atendimento emergencial e salvando vidas. Em vez disso, o recurso foi destinado a um espetáculo de poucas horas.

A pergunta que fica é: qual é a prioridade da gestão municipal — o brilho da festa ou a sobrevivência dos cidadãos?