A chefe do escritório do Unicef no Maranhão, Ofélia Silva, afirmou que é urgente transformar a educação para manter adolescentes e jovens na escola e prepará-los para o mundo do trabalho. A declaração foi feita durante entrevista ao programa Café com Notícias, exibido nesta sexta-feira (20) pela TV Assembleia.
Segundo Ofélia, a iniciativa Aliança pelo Maranhão reúne Unicef, ONU, OIT, Governo do Estado e empresas privadas em uma estratégia conjunta para ampliar oportunidades educacionais e profissionais no estado. Ela ressaltou que se trata de um processo estruturante e de longo prazo.
“A construção é lenta, são processos bastante complexos de transformação, mas estruturantes. O início do processo é justamente que a gente construa essa comunidade de aliados cujo objetivo é reconhecer que adolescentes e jovens maranhenses precisam acessar, de uma forma qualitativamente diferente, oportunidades de aprendizado e de emprego”, destacou.
Durante a entrevista, a representante do Unicef chamou atenção para a evasão no Ensino Médio, apontando que muitos jovens deixam a escola pressionados pela necessidade de renda e pela falta de sentido prático nos estudos.
“Quando chega o Ensino Médio, essa realidade desse ciclo da vida começa a pedir que adolescentes e jovens comecem a pensar, e suas famílias também, em buscar emprego, trabalho e renda. Vira a prioridade. Se a escola, o processo educativo e a aprendizagem não fizerem sentido para esse projeto de vida, a tendência dos meninos e meninas é desistirem de aprender”, afirmou.
‘Desencontro”
Ofélia também abordou o que classificou como um “desencontro” entre empresas e juventude. De um lado, empregadores relatam falta de interesse dos jovens; de outro, os próprios jovens demonstram expectativas diferentes em relação ao ambiente de trabalho.
“A gente escutou, invariavelmente, toda essa questão: parece que o jovem não tem interesse no emprego que está disponível no mercado. Aí a gente vai para o jovem e tenta escutar: de fato, há um tema muito interessante que é como se fosse um desencontro entre o que a empresa oferece e a expectativa do jovem”, explicou.
Ela acrescentou que o perfil da nova geração mudou. “ O perfil do jovem, hoje, precisa ser dinamizado, ele quer fazer parte, ele quer entender o que está fazendo, ele quer ser estimulado”, destacou.
Como resposta, o Unicef vem fortalecendo o programa 1 Milhão de Oportunidades (1MiO), plataforma digital que conecta jovens a vagas de emprego e formação. De acordo com Ofélia, mais de 100 prefeituras maranhenses já aderiram à iniciativa por meio do Selo Unicef.
“Isso é superimportante porque o Maranhão é um estado que ainda se ancora, se apoia muito, no serviço público no interior”, observou.
Inovação na rede estadual
A entrevistada destacou experiências de inovação na rede estadual, como o projeto de desenvolvimento de jogos eletrônicos com alunas dos IEMAs. Segundo ela, a iniciativa tem incentivado meninas a optarem por carreiras nas áreas de Matemática, Tecnologia e Engenharia. Em um dos eventos recentes, a equipe vencedora foi formada por estudantes de uma escola indígena do interior do estado.
Ao final, Ofélia defendeu que a tecnologia deve ser compreendida como ferramenta estratégica para o futuro profissional da juventude. “Quando a gente pede um Uber, é pura tecnologia de games. Você dispara uma demanda e um algoritmo procura quem está com a oferta. Essa lógica do mundo moderno é tudo que a gente gostaria que os jovens começassem a entender, dominar, e que as empresas entendessem que esses jovens são as pessoas que eles esperam”, concluiu.